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Com mais de R$ 76 bilhões vendidos entre janeiro e setembro, o ano de 2018 se consolida como um dos melhores da história para o setor, que já acumula crescimento de 7,6%.O reaquecimento da economia e o aumento do mercado de financiamento no Brasil estão estimulando uma velha e conhecida modalidade de crédito: a de consórcios. Puxado pela comercialização de veículos, motocicletas, imóveis e eletrodomésticos, com a venda de 1,882 milhão de cotas e R$ 76,4 bilhões movimentados, o setor cresceu 7,6% entre janeiro e setembro na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado 1,749 milhão de adesões.

Os dados divulgados ontem são da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac). “O sistema de consórcios não só manteve o ritmo das vendas de novas cotas como ampliou e bateu recorde depois de quase três anos”, afirma Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da entidade. “Nesse panorama, é possível creditar o crescimento ao comportamento de um consumidor mais consciente sobre a modalidade, com maior conhecimento dos conceitos da educação financeira para a tomada de decisões dentro dos limites dos orçamentos pessoais ou familiares.”

Os números são os melhores em muitos anos. Somente em setembro, o sistema registrou a marca de 241,5 mil novas cotas, bem perto das 250 mil comercializadas em dezembro de 2015. Com isso, o mês garantiu a quarta melhor posição nos últimos dez anos. “Os números mostram que os consumidores aprovam o modelo como alternativa devidamente planejada na hora de comprar bens ou contratar serviços diversificados”, destacou Rossi. O acúmulo de adesões constatadas nos três trimestres é igualmente maior se comparado aos respectivos meses desde 2014.
Em setembro, os destaques foram os recordes obtidos na atual temporada em cada um dos seis setores – veículos leves, veículos pesados, motos, imóveis, serviços, eletroeletrônicos e outros bens duráveis. “Mesmo em tempos de juros baixos, os consórcios têm se mostrado uma alternativa de planejamento de aquisições de médio e longo prazo, além de baixo custo em comparação aos financiamentos tradicionais”, afirma o economista Marcos Silveira, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Os valores, no entanto, têm apresentado oscilações. Em setembro, o tíquete médio atingiu R$ 42,5 mil, 3,2% inferior aos R$ 43,9 mil de igual mês de 2017. Em relação a janeiro último, houve uma elevação de 10,4% sobre os R$ 38,5 mil. Segundo a pesquisa da Abac, de 189 dias úteis decorridos nos nove primeiros meses (o mesmo total trabalhado há um ano), a média diária das adesões alcançou 9,95 mil ou 7,5% a mais do que as 9,26 mil anteriores. Só nos 19 dias de setembro, quando foram comercializadas 12,7 mil cotas por dia – recorde nos últimos três anos – houve alta de 10,4% sobre as 11,5 mil por dia comparativamente ao mesmo mês analisado em 2017.

Ainda pelos números do levantamento, o total de consorciados ativos chegou a 7,055 milhões em setembro, 2,7% acima dos 6,872 milhões do mesmo mês de 2017. O aumento sucessivo em doze meses permitiu alta de 2,8% sobre outubro de 2017 – eram 6,860 milhões comparativamente a 7,055 milhões de setembro.

De janeiro a setembro de 2018, o total das contemplações contabilizou 893,4 mil, ou 2,1% menos do que as 912,6 mil anteriores no mesmo período em 2017. Os créditos relativos aos contemplados subiram 2,1%. Em 2017, houve acúmulo de R$ 29,63 bilhões (janeiro-setembro), mas neste ano ultrapassaram R$ 30,24 bilhões.

No contramão 

A expansão dos consórcios contrasta com as dificuldades da economia em impor um ritmo constante de crescimento. Durante os nove primeiros meses de 2018, a economia nacional andou em câmera lenta porque também esperava o desfecho das eleições.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria, recuou 0,5 ponto, para bater na casa dos 52,8 pontos em setembro. O índice negativo é o primeiro registrado na comparação mensal desde a forte queda de junho (-5,9 pontos), por conta da paralisação dos serviços de transporte rodoviário de carga.

Apesar da retração, a recuperação acumulada em julho e agosto (+3,7 pontos) não foi totalmente suficiente: o ICEI encontra-se 1,3 ponto abaixo de sua média histórica, e 2,9 pontos abaixo do registrado no mesmo mês de 2017.

Paralelamente, ainda em função da crise de confiança, alguns segmentos do comércio devem terminar o ano com resultados abaixo do esperado, segundo a Fecomercio. Embora ainda leve certo tempo para uma melhora das condições econômicas do país, o setor pode adotar algumas ações para planejar a estratégia de negócios visando o fim deste ano. A expectativa principal está nas vendas de Natal, especialmente com a entrada do 13º salário.

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